A rede AMC confirmou na manhã de hoje o fim de uma longa disputa judicial envolvendo os lucros de The Walking Dead e de seu primeiro derivado, Fear the Walking Dead. A emissora vai pagar 120 milhões de dólares para encerrar o processo movido em 2022 por Robert Kirkman, criador da franquia, e um grupo de produtores executivos que exigiam revisões nos repasses financeiros.
O acerto limpa o terreno legal da empresa logo após a assinatura de um contrato de 500 milhões de dólares com a Netflix para a exibição do universo zumbi. Dos 120 milhões firmados com os produtores, 85 milhões serão pagos ainda neste mês, enquanto os 35 milhões restantes ficam para o ano que vem como adiantamento de lucros futuros.
O peso do acordo de Frank Darabont
A batalha de Kirkman, Gale Anne Hurd, Glen Mazzara, David Alpert e Charles Eglee ganhou força na esteira de outro confronto milionário. Em 2021, a AMC pagou 200 milhões de dólares para encerrar a ação movida por Frank Darabont, o primeiro comandante da série que foi demitido logo no início da produção.
Foi a vitória de Darabont que deu munição para os outros produtores. Eles acionaram a Justiça questionando as manobras contábeis da empresa, alegando que a emissora calculava as margens de lucro de uma forma que os prejudicava diretamente nas comissões de longo prazo.
A resolução amigável, fechada na última sexta-feira (4 de setembro), encerra permanentemente essas reivindicações. Em um comunicado conjunto divulgado hoje, as partes anunciaram que pretendem continuar dividindo o sucesso da marca pelos próximos anos sem novos conflitos legais.
A pendência de Dave Erickson
Apesar do alívio com os criadores originais, o canal não se livrou totalmente dos tribunais. Em novembro de 2025, Dave Erickson, cocriador e líder das três primeiras temporadas de Fear the Walking Dead, abriu seu próprio processo exigindo dezenas de milhões de dólares.
Erickson alega que o balanço financeiro entregue a ele apresentava um déficit artificial de mais de 185 milhões de dólares, o que na prática impedia o pagamento de qualquer comissão. O roteirista afirma que nunca recebeu nenhum centavo de participação nos lucros da produção, enquanto outros executivos dividiram pelo menos 49 milhões de dólares pelo sucesso comercial da trama.
O futuro e a redução no ritmo de lançamentos
Com as contas sendo ajustadas nos bastidores, a expansão do universo de sobrevivência segue garantida na TV, mas com o pé no freio. Scott M. Gimple, chefe de conteúdo da franquia, confirmou em agosto de 2026 que os próximos projetos terão um intervalo maior de respiro entre as estreias.
A terceira temporada de The Walking Dead: Dead City, focada em Maggie e Negan, encerra sua exibição original ao longo deste mês de setembro.
Já o desfecho da saga de Daryl e Carol pela Europa vai exigir mais paciência do público. A quarta e última temporada de The Walking Dead: Daryl Dixon, inicialmente esperada para 2026, teve seu lançamento empurrado para a frente e fará sua estreia oficial no Prime Video apenas em 2027.



