O filme Ink, dirigido por Danny Boyle, fez sua estreia mundial na manhã de hoje como o título de abertura do Festival de Veneza. A produção traz Guy Pearce no papel do magnata da mídia Rupert Murdoch e explora a compra e a transformação radical do jornal britânico The Sun no ano de 1969.
A exibição do longa já movimenta a crítica internacional por expor as raízes do sensacionalismo e do jornalismo de tabloide que moldaram a comunicação moderna. Além de detalhar os bastidores do poder, o lançamento abriu espaço para debates urgentes sobre o impacto das novas tecnologias e o futuro da imprensa no cenário global.
A construção do império e o papel de Larry Lamb
O roteiro escrito por James Graham foca na parceria comercial entre Murdoch e o editor Larry Lamb, interpretado por Jack O'Connell, contratado para liderar e reviver o The Sun. Juntos, eles apostaram em uma fórmula focada em escândalos, esportes e apelo sexual para atrair novos leitores e confrontar a elite britânica da época.
A atriz Claire Foy completa o elenco principal como Jules Davies. A personagem foi desenvolvida como uma figura composta para representar diversas repórteres e executivas que trabalharam na redação do veículo de comunicação durante aquele período de transição.
Bastidores em Veneza e a reação da família Murdoch
Durante a coletiva de imprensa realizada hoje na Itália, Guy Pearce revelou detalhes da produção e relatou um contato inusitado com a família do empresário australiano. O ator confirmou que conversou diretamente com Elisabeth Murdoch, filha do magnata, sobre o andamento do projeto.
O protagonista compartilhou a visão da executiva sobre a escolha do ator principal:
“Eu troquei algumas mensagens com a Elisabeth, filha dele, e ela me disse que o pai estava muito feliz que eu o estava interpretando. Mas ele ainda não tinha visto o filme naquele momento, então vamos ver.”
O diretor Danny Boyle explicou que a intenção da obra não é demonizar Murdoch, mas detalhar como suas decisões representaram uma ruptura histórica em uma sociedade inglesa extremamente rígida e hostil contra estrangeiros.
O alerta de Danny Boyle sobre a inteligência artificial
A equipe técnica do filme aproveitou o festival para debater as ameaças corporativas contemporâneas à profissão de jornalista. Boyle demonstrou grande preocupação com o avanço acelerado das empresas do setor de tecnologia e o uso de inteligência artificial na elaboração de notícias.
O cineasta britânico ressaltou o risco imediato de perder profissionais treinados e capazes de fiscalizar líderes políticos e expor falhas sistêmicas:
“O perigo com as gigantes da tecnologia e sua inteligência artificial é que eles poderão substituir o jornalismo. Será que esse jornalista de IA vai dizer a verdade ao poder que o criou? Isso vai ser muito difícil.”
Estreia nos cinemas e chegada ao streaming
A distribuição global do longa metragem é comandada pela StudioCanal, com uma estreia limitada nas salas de cinema dos Estados Unidos agendada para o dia 11 de dezembro de 2026.
O público brasileiro poderá assistir à produção logo nas primeiras semanas do próximo ano. O título entra oficialmente no catálogo da Netflix em toda a América Latina no dia 8 de janeiro de 2027.



