O ator Andrew Garfield voltou a defender a criação de um Homem-Aranha gay para os cinemas em uma entrevista divulgada hoje. Durante a agenda de divulgação de seu novo filme, o astro britânico relembrou suas tentativas frustradas de alterar a sexualidade de Peter Parker nos bastidores da Sony Pictures e reafirmou que o traje do herói da Marvel serve para qualquer pessoa.
A nova declaração reacende um debate iniciado pelo próprio ator há mais de dez anos, quando ele protagonizava a franquia do Cabeça de Teia. A insistência no assunto traz à tona detalhes sobre como os executivos do estúdio reagiram à ideia de apresentar um romance entre dois homens em um dos maiores sucessos de bilheteria da época.
O plano de escalar Michael B. Jordan como interesse amoroso
As primeiras tentativas de alterar a orientação sexual do herói ocorreram durante a pré-produção de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, lançado em 2014. Garfield revelou que procurou o produtor Matt Tolmach e o diretor Marc Webb com uma proposta clara para mudar a identidade de Mary Jane, transformando a famosa personagem em um homem.
O britânico sugeriu ativamente a escalação de Michael B. Jordan para o papel, justificando que a química entre os dois renderia uma dinâmica inédita para os filmes de super-heróis. Ao detalhar sua paixão pelo projeto em conversa com a revista Entertainment Weekly, o ator explicou sua visão sobre o traje do personagem:
“Esse é o ponto do motivo pelo qual ele é um personagem tão universalmente amado na história da ficção, é porque você não vê cor de pele, você não vê gênero, você não vê sexualidade. Qualquer um pode se projetar dentro daquele traje.”
Contrato vazado e a regra estrita da Marvel
Apesar do entusiasmo do protagonista, a ideia foi vetada pelos executivos e gerou atritos internos. Em 2021, o ator confessou ao jornal The Independent que sofreu grande pressão da Sony para se retratar publicamente e pedir desculpas pelo comentário, com o objetivo de não afastar parcelas conservadoras do público e garantir a venda de ingressos.
O motivo da proibição corporativa veio a público durante o grande ataque hacker sofrido pela Sony Pictures. Os documentos confidenciais vazados revelaram um acordo de licenciamento rigoroso assinado com a Marvel, que impunha obrigações de integridade do herói. O contrato exigia especificamente que Peter Parker fosse caucasiano e heterossexual nas adaptações com atores reais.
O futuro da franquia no cinema e no streaming
A representação inclusiva na mitologia da franquia só aconteceu recentemente nos quadrinhos. A editora introduziu o personagem Web-Weaver no final de 2022, o primeiro Homem-Aranha abertamente gay do multiverso impresso, enquanto os cinemas mantiveram a abordagem tradicional.
A saga principal segue nas telonas com Homem-Aranha: Brand New Day, estrelado por Tom Holland, que estreou no final de julho de 2026 e tem previsão para chegar ao catálogo brasileiro da Netflix nos próximos meses. Já Andrew Garfield continua sua carreira em múltiplos projetos e retorna aos cinemas no drama histórico The Uprising, dirigido por Paul Greengrass, além de interpretar o executivo Sam Altman na cinebiografia Artificial.



