O ex-líder de gangue Duane "Keffe D" Davis, de 63 anos, foi condenado ontem por homicídio em primeiro grau com uso de arma letal pelo assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A decisão unânime do júri em Las Vegas encerra o julgamento do único suspeito vivo a enfrentar acusações pelo crime que marcou a história do hip-hop.
O veredito foi alcançado em menos de três horas de deliberação, após duas semanas de depoimentos de quase trinta testemunhas de acusação e defesa. O resultado representa o primeiro e único desfecho judicial para um dos casos não resolvidos mais famosos da cultura pop.
O ataque como retaliação e a dinâmica do crime
A promotoria argumentou que Davis atuou como o comandante e mandante do crime, adquirindo a arma de fogo e ordenando o ataque. O promotor adjunto Binu Palal detalhou que a motivação foi uma vingança pessoal, após Tupac e o executivo da Death Row Records, Marion "Suge" Knight, terem espancado o sobrinho de Davis, Orlando "Baby Lane" Anderson. A agressão ocorreu no saguão do hotel MGM Grand, horas antes do tiroteio.
Vídeos de segurança do hotel exibidos durante o julgamento confirmaram a briga envolvendo a comitiva do rapper. Segundo a acusação, após o incidente, Davis organizou um grupo e foi à caça de Tupac e Suge Knight pelas ruas de Las Vegas em um Cadillac branco. Ele admitiu ter passado uma pistola calibre .40 para os ocupantes do banco de trás, de onde partiram os disparos contra a BMW do músico.
Confissões em entrevistas e livro foram decisivas
A principal base da acusação foram as próprias declarações do réu ao longo dos anos. Em 2008, durante uma investigação federal sobre a morte de The Notorious B.I.G., Davis relatou detalhes específicos da noite do crime que apenas alguém presente no veículo saberia. Na época, ele acreditava estar protegido por um acordo de imunidade parcial.
O promotor Palal destacou as repetidas confissões perante o júri:
“Por quase 18 anos, Duane Davis contou à polícia, à televisão, em livros, em entrevistas no YouTube e a qualquer um que quisesse ouvir. Ele disse a vocês que é o responsável pelo assassinato de Tupac Shakur.”
A publicação do livro de memórias de Davis, Compton Street Legend, em 2019, reacendeu as investigações e serviu como evidência final para a prisão ocorrida no ano passado. A defesa tentou desqualificar essas falas, alegando que o cliente inventou a história para lucrar e vender cópias. O advogado Michael Sanft apontou a falta de provas físicas, como DNA ou registros telefônicos, que colocassem o réu na cena do crime.
Os próximos passos na justiça
Durante a leitura da sentença, Davis permaneceu em silêncio com as mãos cruzadas sobre a mesa. A irmã de Tupac, Sekyiwa "Set" Shakur, estava presente no tribunal e chorou ao ouvir a condenação. A defesa confirmou que pretende recorrer da decisão judicial.
A juíza distrital Carli Kierny ordenou que Duane Davis permaneça preso aguardando a audiência oficial de sentença, marcada para o dia 13 de outubro de 2026. Ele enfrenta a possibilidade de condenação à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.



