A atriz Gal Gadot confirmou na manhã de hoje que não vai fugir do avanço da inteligência artificial no cinema e defendeu publicamente sua participação no polêmico filme Bitcoin. Durante entrevista ao podcast Happy Sad Confused, ela explicou que aceitou o projeto protagonizado por Casey Affleck para entender a nova tecnologia e não ser engolida pelo mercado, garantindo que sua atuação real não sofreu alterações digitais.
O posicionamento da artista acontece no momento em que Hollywood debate os limites do uso de ferramentas sintéticas em grandes produções. O novo longa dirigido por Doug Liman usou inteligência artificial para gerar todos os cenários e a iluminação, reduzindo drasticamente os custos e o tempo de gravação da equipe.
Contrato blindado e atuação sem pausas
As negociações para garantir que a tecnologia não invadisse o trabalho humano foram intensas. Gadot revelou que sua equipe de advogados passou seis meses analisando cada cenário possível para fechar o contrato do filme, exigindo que a inteligência artificial fosse restrita apenas ao ambiente virtual.
O ineditismo das cláusulas chamou a atenção até do sindicato dos atores dos Estados Unidos, como a própria artista detalhou durante a entrevista:
“Eles ligaram para os meus advogados para pedir dicas de como atualizar o contrato do SAG para proteger outros atores, sabendo pelo que tínhamos passado. No que diz respeito às performances, sou toda eu.”
A gravação aconteceu ao longo de 20 dias em um galpão vazio revestido de telas, sem os equipamentos tradicionais de Hollywood. Como não havia necessidade de ajustar luzes entre as cenas, a atriz comparou a experiência com o teatro, atuando por até dez horas seguidas sem as esperas comuns dos sets de filmagem.
Orçamento cortado e figuras polêmicas em cena
O uso das ferramentas digitais salvou o projeto de um cancelamento por questões financeiras. Os produtores calcularam que gravar Bitcoin da maneira tradicional custaria mais de 300 milhões de dólares devido à grande quantidade de locações globais. Com a inteligência artificial assumindo a direção de arte, a conta caiu para cerca de 70 milhões de dólares.
A trama acompanha Craig Wright, vivido por Affleck, um cientista que afirma ser o criador da famosa criptomoeda. O tom satírico do roteiro vai incluir versões geradas ou aprimoradas por computador de figuras públicas reais, como Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Vladimir Putin.
O adeus à Mulher-Maravilha e a chegada ao streaming
Aproveitando a conversa, a atriz também colocou um ponto final nas especulações sobre seu retorno ao universo da DC. Ela afirmou que não tem mais interesse em reviver a heroína após as mudanças na chefia do estúdio, criticando a forma como os diretores James Gunn e Peter Safran lidaram com as saídas de Henry Cavill e da diretora Patty Jenkins.
O foco atual da carreira está na ação, com o lançamento de The Runner marcado para o dia 2 de setembro no catálogo do Prime Video. O projeto exigiu tanto esforço físico que Gadot quebrou os pés durante as gravações nas ruas de Londres e precisou finalizar suas últimas cenas usando muletas antes de iniciar seu processo de recuperação.



