A bilheteria de verão dos Estados Unidos atingiu a marca inédita de 4,76 bilhões de dólares hoje, ultrapassando oficialmente o recorde de 4,75 bilhões de dólares mantido desde 2013. A temporada de quatro meses marcou a primeira vez na história em que cada mês (maio, junho, julho e agosto) superou individualmente a faixa de 1 bilhão de dólares em vendas de ingressos.
Esse salto histórico afasta as dúvidas recentes sobre a sobrevivência das salas de cinema, puxado pela força de franquias consagradas e pelo retorno explosivo de espectadores casuais. Diferente dos últimos anos, os estúdios conseguiram arrastar a Geração Z de volta para a tela grande, apostando em uma mistura de diretores revelados no YouTube com os maiores astros da atualidade.
Homem-Aranha e o domínio absoluto
O grande motor comercial do verão é Spider-Man: Brand New Day, que dominou o feriado prolongado e se manteve no topo da bilheteria americana pelo sexto fim de semana consecutivo. A nova aventura de Peter Parker, vivida por Tom Holland, já soma 2,4 bilhões de dólares no mundo todo. Com 923 milhões de dólares arrecadados apenas na América do Norte, a produção da Sony deve ultrapassar "Star Wars: O Despertar da Força" em breve para se tornar a maior bilheteria doméstica de todos os tempos.
Logo atrás, a Universal colheu os frutos de The Odyssey, longa épico para maiores comandado por Christopher Nolan. O filme acumulou 1,62 bilhão de dólares globalmente e se manteve forte na segunda posição das paradas mesmo após oito semanas em cartaz. As exibições no formato IMAX foram responsáveis por quase 30% de todo o faturamento da produção, somando 486 milhões de dólares no mundo.
Terror indie vira o jogo contra superproduções
O recorde de 2026 não foi construído apenas com propriedades milionárias. O terror de baixo orçamento Obsession, dirigido por Curry Barker com apenas 750 mil dólares, virou um fenômeno instantâneo de público e cruzou a barreira dos 500 milhões de dólares globais. O sucesso de Barker abriu caminho para Backrooms, adaptação de uma série da internet dirigida pelo jovem Kane Parsons, que faturou quase 400 milhões de dólares tendo custado parcos 10 milhões.
Analistas do mercado celebraram essa virada nas salas de exibição. O especialista Paul Dergarabedian, da Rentrak, detalhou o sentimento da indústria de entretenimento:
“O que torna este verão excepcionalmente importante e potencialmente crucial é que, para muitas pessoas, ele pode ter sido a temporada que as lembrou de como é divertido ir ao cinema. Isso pode inspirar futuras idas ao cinema, criar uma nova geração de espectadores e manter esse impulso.”
O que naufragou e os próximos passos do mercado
Nem todas as apostas funcionaram no período. Enquanto títulos menos convencionais e o polêmico Coyote vs. Acme faziam sucesso e ganhavam o público, filmes que seguiram a velha cartilha de franquias amargaram grandes prejuízos. Projetos caros como o live-action de "Moana" (da Disney), "Supergirl" (da Warner Bros.) e "Masters of the Universe" (da Amazon MGM) fracassaram e não conseguiram se pagar nas telonas.
Com o fim oficial da alta temporada, a indústria agora ajusta o calendário para os próximos meses. Os blockbusters "Avengers: Doomsday" e "Dune: Part Three" despontam como os principais lançamentos para a reta final do ano, encarregados da missão de manter o ritmo do mercado para que 2026 encerre com a cobiçada marca de 10 bilhões de dólares em vendas de ingressos globais.



