A série Lanternas atingiu um novo pico de audiência no último domingo. O terceiro episódio, focado no passado de John Stewart, atraiu 10 milhões de espectadores globais em seus três primeiros dias de exibição. O número coroa o projeto como uma das cinco maiores estreias da história da plataforma Max, superando produções recentes do estúdio.
O marco de audiência chega acompanhado de intensos debates nas redes sociais. A decisão dos roteiristas de reescrever a origem de Stewart e de introduzir temas sobre privilégio racial gerou reações polarizadas. Enquanto parte do público elogia a profundidade dramática, outra parcela acusa a produção de se afastar da essência dos quadrinhos.
A nova mitologia e as polêmicas do terceiro capítulo
O episódio intitulado "OutKast" revelou que o pai de John, interpretado por J. Alphonse Nicholson, foi o candidato original a se tornar um Lanterna Verde antes de Hal Jordan. Uma cena de flashback mostra o personagem sendo testado pelos Guardiões do Universo em uma bolha de energia. Ao demonstrar medo durante a experiência, ele é descartado, o que acaba gerando o trauma psicológico que assombra a família ao longo dos anos.
Para compensar o erro na abordagem, uma Guardiã vivida por Laura Linney entrega um diamante gigante à mãe do herói, Bernadette (Jasmine Cephas Jones). É nesse momento que o roteiro aborda as questões raciais de frente. Bernadette questiona a alienígena sobre a injustiça de exigir total ausência de medo de um homem negro nos Estados Unidos, argumentando que eles já enfrentam a perseguição diariamente na Terra.
A roteirista Vanessa Baden Kelly defendeu a escolha criativa, explicando que a abordagem respeita a essência do herói estabelecida nos quadrinhos dos anos 1970. Segundo ela, a equipe criativa se baseou nas clássicas histórias onde Stewart atuava como um ativista civil e questionava as autoridades.
A dinâmica de investigação e os prisioneiros
No tempo presente, a trama foca na dinâmica tensa entre o recruta vivido por Aaron Pierre e o veterano Hal Jordan, interpretado por Kyle Chandler. A relação entre os dois ganhou contornos de desconfiança mútua durante a caçada aos alienígenas sintéticos conhecidos como Caçadores Cósmicos pela cidade de Rushville.
A investigação também abriu espaço para a introdução do ator Ulrich Thomsen como Sinestro, que apareceu preso em uma cela espacial e adotou uma postura semelhante à do vilão Hannibal Lecter ao interagir com Jordan. O showrunner Chris Mundy explicou a decisão de manter o clássico rival confinado, reforçando o foco no tom de mistério policial:
“Nós o queríamos na série pelo seu lugar na mitologia. Mas, como estamos contando um mistério em vez de um thriller, não temos um grande vilão na temporada.”
Os bastidores do projeto no estúdio
O formato de investigação realista que transformou Lanternas em sucesso possui uma origem curiosa. O conceito de cruzar heróis espaciais com o tom narrativo de uma trama criminal surgiu originalmente como uma exigência dos executivos da emissora ainda em 2019. O produtor Greg Berlanti recusou a diretriz na época, mas os atuais presidentes da DC Studios, James Gunn e Peter Safran, assumiram o formato de vez quando chegaram ao comando da empresa.
Com a trama chegando à sua metade, os roteiristas prometem mais respostas sobre a identidade da ameaça escondida no interior dos Estados Unidos. O quinto episódio vai ao ar no próximo domingo, a partir das 22h, com transmissão simultânea na TV e no streaming.



