A chance de um novo ator assumir o papel de Marty McFly nos cinemas beira o zero. Diferente de outras grandes franquias dos anos 80 que ganharam novas versões e reboots recentes, De Volta para o Futuro está protegida por um contrato rígido que dá aos criadores originais, Robert Zemeckis e Bob Gale, o poder absoluto de barrar qualquer projeto de expansão nos cinemas.
A Universal Pictures tentou encontrar brechas ao longo dos anos para reviver a marca que faturou mais de 380 milhões de dólares apenas com o primeiro filme de 1985. No entanto, a dupla de cineastas se recusa a aprovar qualquer roteiro que tente recontar a clássica história de viagem no tempo, mantendo a trilogia original intacta.
O contrato blindado com a Universal Pictures
Em 1984, antes mesmo do lançamento do primeiro longa, Zemeckis e Gale assinaram um acordo de licenciamento com a Universal e a Amblin Entertainment, produtora de Steven Spielberg. O documento estabelece que a dupla tem a palavra final sobre qualquer obra derivada do universo da franquia até o fim de suas vidas. Esse tipo de controle criativo é uma anomalia na indústria atual, onde os estúdios costumam ser os donos irrestritos das propriedades que financiam.
Com o passar das décadas e a explosão da cultura de nostalgia em Hollywood, executivos sondaram diversas vezes a possibilidade de reativar a marca para atrair o público jovem. Ainda assim, a resposta dos criadores sempre foi um não definitivo, fechando as portas para qualquer expansão em formato de filme ou série live-action.
A recusa pública de Robert Zemeckis
O diretor nunca fez questão de esconder sua irritação com a ideia de ver outro cineasta refazendo seu trabalho. Durante uma entrevista ao jornal The Telegraph em 2015, ano em que a franquia comemorou seu trigésimo aniversário, Zemeckis deixou claro que o estúdio só vai conseguir produzir um novo filme passando por cima do seu cadáver:
“Isso não pode acontecer até que o Bob e eu estejamos mortos. E aí eu tenho certeza que eles vão fazer, a menos que exista alguma forma de os nossos espólios impedirem isso. Para mim, a ideia de refazer é um ultraje. É como dizer: ‘Vamos refazer Cidadão Kane. Quem vai interpretar Kane?’. Que loucura, que loucura seria essa? Por que alguém faria isso?”
Bob Gale também já reafirmou essa posição em diversas convenções de fãs, explicando que a história de De Volta para o Futuro já tem começo, meio e fim bem amarrados. A única expansão que a dupla autorizou nos últimos anos foi um musical oficial para o teatro, que estreou em Londres e na Broadway, além de uma linha de histórias em quadrinhos que explora eventos paralelos aos filmes.
O legado da trilogia original no streaming
Sem previsão de novos lançamentos no cinema, o público brasileiro consegue rever a jornada completa de Marty McFly e do Doutor Emmett Brown no streaming. O primeiro longa de 1985 e suas duas sequências diretas, lançadas em 1989 e 1990, integram o catálogo do Globoplay para assinantes do pacote premium.
Juntos, os três filmes arrecadaram quase 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. A franquia cimentou a imagem de Michael J. Fox e Christopher Lloyd na cultura pop global e transformou o carro DeLorean DMC-12 em um dos veículos mais famosos de toda a história do entretenimento.



