O novo filme do diretor Florian Zeller, Bunker, parou o Festival de Veneza hoje com uma recepção histórica. A exibição do longa terminou com uma ovação em pé de 15 minutos e meio, levando a atriz Penélope Cruz às lágrimas enquanto beijava seu marido e colega de elenco, Javier Bardem.
A reação consagra o projeto como o grande favorito do evento até agora, ficando atrás apenas dos 17 minutos de aplausos recebidos por Pedro Almodóvar no festival em 2024. A comoção na sala de cinema foi tanta que o diretor pediu para o elenco, que também conta com Paul Dano e Patrick Schwarzenegger, dar um passo à frente no palco para receber os gritos do público.
Mistura de ficção e realidade
O enredo de Bunker acompanha um casal em crise morando em Londres. A confusão começa quando o arquiteto Miguel, vivido por Bardem, aceita construir um abrigo de sobrevivência para o bilionário da tecnologia Andrew (Dano). O projeto levanta questões morais que abrem um abismo na relação de 17 anos do casal, fazendo a personagem de Cruz questionar os valores do marido e se aproximar do romancista Jeremy Gray (Schwarzenegger).
Para criar essa tensão, Zeller revelou que sua maior inspiração foi De Olhos Bem Fechados, clássico de Stanley Kubrick. A ideia era explorar a linha fina entre a história do filme e a vida real, colocando Cruz e Bardem, casados há quase vinte anos, para viverem a crise diretamente nas telas.
O diretor explicou a abordagem em entrevista antes da estreia:
“Eu amava De Olhos Bem Fechados, essa proposta ambivalente apresentada ao público onde você não tem muita certeza do que está sendo convidado a assistir. Queria usar o que eles são para tocar em algo mais autêntico e mais perturbador para o público.”
Crítica aos bilionários e corrida para o Oscar
Além da crise conjugal, o filme bate de frente com a riqueza extrema e o isolamento dos super-ricos. Segundo Zeller, Penélope Cruz trouxe sua própria irritação com os bilionários do setor de tecnologia para a construção da personagem, adicionando uma camada de ansiedade socioeconômica à dinâmica da família.
Com a recepção estrondosa na Itália, a Sony Pictures Classics já garantiu os direitos de distribuição na América do Norte. O estúdio planeja uma exibição especial no fim do ano para garantir a elegibilidade nas premiações, de olho em indicações nas categorias de atuação, com a estreia geral nos cinemas dos Estados Unidos marcada para o início de 2027.



