Ashley St. Clair, ex-parceira de Elon Musk e mãe de um dos filhos do bilionário, revelou hoje no Festival de Veneza que recusou uma oferta de 40 milhões de dólares para ficar calada. A proposta milionária tinha um único objetivo: impedi-la de participar do novo documentário Musk, dirigido por Alex Gibney.
A revelação aconteceu durante a coletiva de imprensa oficial do longa, que faz sua estreia mundial no evento. St. Clair dividiu a mesa com o diretor e outras fontes da produção, detalhando a tentativa de silenciamento e as estratégias da equipe do empresário para abafar a investigação do projeto.
O preço do silêncio e o alerta para a família
St. Clair explicou que a oferta chegou por meio de Jared Birchall, gerente de negócios e braço direito de Musk. Em vez de aceitar o dinheiro, ela preferiu falar diante das câmeras sobre o relacionamento que teve com ele em 2023, ano anterior ao nascimento do filho dos dois.
Ela admitiu que uma proposta desse tamanho gera um forte debate interno sobre o valor da própria voz e as consequências da exposição, mas revelou o que pesou na decisão final:
“Acima de tudo, quero dar o exemplo para os meus filhos de que nunca se deve trocar a verdade pelo conforto material.”
Clima de medo nos bastidores
O diretor Alex Gibney confirmou que montar a lista de entrevistados foi uma tarefa cercada de tensão. Ele relatou ter esbarrado em um medo quase existencial de falar sobre Musk, barreira que encontrou tanto entre críticos do magnata quanto entre seus amigos e parceiros de negócios da área de tecnologia.
O próprio Musk recusou o convite formal para dar entrevista ao documentário. O longa final, que tem quase quatro horas de duração, foca não apenas na trajetória pessoal do empresário, mas na sua imensa rede de influência corporativa e táticas de gestão.
Críticas à rede social e poder político
Durante a coletiva, St. Clair também criticou abertamente a condução da rede social X por Musk, afirmando que a plataforma fomenta conflitos irreais que acabam gerando impactos graves no mundo físico. Ela chegou a contar que recebeu uma mensagem do bilionário dizendo que precisavam ter uma legião de crianças antes da guerra civil.
Gibney tratou a obra como um alerta sobre o poder global acumulado pelos gigantes da tecnologia e a aproximação do empresário com governos e pautas da extrema-direita mundial. O filme Musk segue com sua programação oficial de exibições no Festival de Veneza, que vai até este sábado (12 de setembro).



